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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sociedade Hipocondríaca

Medo de pisar no chão.
Medo de cortar a mão.
Medo de levar um choque.
Medo de quebrar o pescoço.
Medo de morrer afogado.
Medo de se declarar.
Medo do que os outros pensam.
Medo de amar.
Medo de não ser amado.
Medo de não ser o bastante.
Medo de uma tristeza constante.
Medo quem sabe, do próprio medo?
Medo de aprender.
Medo de conviver.
Tanto tanto medo
Corre corre corre
O medo não te deixa viver.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Absoluto

Ah, putrefam, esses seus velhos ideais,
Seus, se tornaram com o tempo, banais,
E você ainda nem sabe direito o que faz,
Tragada pelas memórias que o destino trás,
Continua com o ar de quem não se satifaz,
Talvez não acredite no que o tempo desfaz,
Meus versos não foram feitos para trazer paz.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Eu não quero

Eu não quero viver uma vida poética feita de intensidade, feita de palavras bonitas e ser "inexplicável".
Eu não quero comparar a cor dos seus olhos com o brilho das estrelas.
Eu não quero colocar em check tudo o que sou ou meu jeito de ver as coisas por que convém.
Eu não quero fazer do jeito mais fácil se eu julgar errado.
Eu não quero correr atrás de ninguém para ajudar, se a pessoa nem pretende ser ajudada.
Eu não quero ser apenas mais uma pessoa diferente, ou fazer parte dos casuais.
Eu não quero lutar por igualdade se as pessoas não se importam de viver de auxílio.
Eu não quero mudar a sua opinião.
Eu não quero ser dependente de um sentimento.
Eu não quero ser dependente de uma sensação.


Eu não quero iludi-los, meus queridos.

domingo, 30 de novembro de 2008

Sustenido

Tudo vibra.
O tenor grita e a taça na cabeça de cada um estoura.
E a onomatopéia é omitida, entre os cacos de suas taças e gotas de vinho.

E eu sinto fome e sede, e não é de justiça.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Toxina

"Os versos me jogaram fora
Não tenho mais o abrigo
O abrigo da expressão
Chove
E está molhando meus ossos
Pesada
O sono bate e estou na rua
Cadê as estrelas para serem meu teto?
Está tudo tão cheio de nuvens...

Essa água não mata minha sede
Intragável
O alcóol já não me embriaga
Mas talvez um brilho
Reflexo de um sorriso
Cintilante
Penetrante
Por mais discreto que seja
É o bastante."


Estava cansado. Havia acabado de chegar de uma viagem. Uma semana e alguns dias fora de casa. Morava no 3º andar. Toda vez, entrava distraído, e acabava tentando abrir a porta do vizinho, por impulso. Sempre estava pensativo. Mas dessa vez não tive tempo de distrair-me - um garoto de em torno de 7 anos estava na porta. Dissera que havia uma carta pra mim. Não havia remetente, nem nome, nem endereço. Perguntei quem havia mandando entregar, e respondeu que era um homem sorridente e com um chapéu que provavelmente cobriria a calvície. Dei uma bala de eucalypto que eu tinha no bolso para ele, para que o coitado não saísse de mãos abanando, já que estava sem dinheiro algum, mas concerteza ele odiaria só pelo cheiro. Adentrei, sem bater no vizinho dessa vez. Coloquei um blues dos meus favoritos, e sentei numa poltrona que de tanto tempo que passei ali já deveria ter tomado a minha forma. Abri o pacote, ancioso. Surpreendi-me com uma folha em branco. Irritei-me pensando sem uma brincadeira de criança, mas percebi uma frase, escrita em nanquim canto da folha: "Há de ser feliz quem realmente quer."

Então percebi que não havia cansaço, distração, apartamento, vizinho, garoto, senhor misterioso, blues ou até mesmo minha poltrona de sempre.

Mas havia uma criatura que gritou "EU!" no meio do mundo.


terça-feira, 25 de novembro de 2008

Indulgência

Seus poemas já não me enganam
Seus acordes já não me entorpecem
Mas aquela tua rima
Incofundível
Rima de horizonte
No soar do mar e do pôr-do-sol
Na espectativa de uma noite cair
Noite de lua nova
Um tanto vazia quanto eu preciso ser
Por que quando brilho
Tudo que eu reflito é a luz da vela
Quero o Sol
Queimar na presença dele
Mas, suas velas estão ofuscando.

Eu entro naquele antigo beco
A música é a mesma
Tudo é tão aconchegante
Mas adormece
Adormece tudo aquilo que dói
Que me faz sofrer
Que me derruba
Que me faz sentir vivo

"Sou o filho e o herdeiro
De uma timidez que é criminalmente vulgar
Sou o filho e o herdeiro
De nada em particular"

Escrito na Terça-feira, dia 25 de novembro de 2008
(Última estrofe é parte traduzida de uma música da banda "The Smiths" chamada "How Soon is now?". Não achei forma melhor de finalizar)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A outra face

"A tua máscara
tribal
cruel
Pintada no mais diferentes tons
do sangue de teus amados
Embebida com aquele Bálsamo
de nossa querida infância

Dê-me aquele teu sincero sorriso
Traga-me denovo denovo
Velhas lembranças
de quando pouco importava
a circunstância
o meio
os doentes à nossa volta
Aquele teu doce olhar
que vem intenso e ameaçador
Já faz parte de mim

Houve dias
onde a palavra fugira de mim
Fui despido por uma contante
via de pensamentos nulos
feitos de luzer e cores
remetentes ao nada
mas que precisavam emergir

Rezo
para um ser abrupto
e indefinido
pedindo que seja feita
cada detalhe de minha
vontade
Diz-me que fui egocêntrico
Digo-lhe que fui sonhador

Talvez tenha vivido
romântico demais."

Escrito na Terça, 18 de novembro de 2008



Merda. Amanhã tem 3 provas, e eu não manjo nadaaaaa.
AHHHH, mas mesmo assim, eu to feliz, feliz demais.


segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Retorno ao sentimentalismo

"O acaso do meu amanhã
a doce surpresa do improvável
o extasê de uma nova esperança.

Fazes de minha vida, um tanto que seja
única.
Difere-te do resto
a originalidade de tuas experiências.

Eis a causa de tudo isso
O ardor da raiva
o prazer da paixão
o pecado
as pessoas.

Nega teu sentimento e aclama teu condenamento à morte. Morra eternizando o teu hoje e fazendo dele o teu amanhã. A agoniante música de um só tom.
Trim
Trim
Trim
Trim

Dançe-a na valsa de teus dias chatos.

Cansa, viver aquilo que não remete o que sentimos
Apodrece
Anestesia
O sentido do convívio
Dos laços, de paixão
amizade
fraternidade

Inibe a natureza do ser humano
e o ser humano inibirá a natureza de tua felicidade."





Escrito na Segunda, 17 de novembro de 2008.

sábado, 15 de novembro de 2008

Prematuro

"Significado. Vivemos, discutimos, disputamos, buscamos o significado.
Significar é refletir a própria existência.
Queremos significar algo pra alguém.
Queremos significar algo para nós mesmos, também.

Espera. Sempre esperamos algo de alguém. Sempre idealizamos o outro, sempre idealizamos o que queremos. A espera interpreta o significado ideal do teu querer.
Há de esperar e viver de sonhos, então.
Há de esperar e decepcionar
pela realidade não ser a sua ilusão.

Alucinação. Inconformados com a espera do ideal, nos decepcionamos com o real. Viver alucinado acalma a alma ferida.
Alucina-te, sua vida tornará-se mais amena.
Alucina-te, mas de nada significará se sua sensação não é plena.


Contradição. Dela se faz as ações do ser humano. Não podemos agir da forma que queremos. Já definiram o que é certo. Alucina-te e viva o correto.
Contradiga tua vontade, enterre a tua essência.
Contradiga tua alma, perpetue por aí a tua mais intensa ausência."



Escrito no Sábado, dia 15 de novembro de 2008